
Meu Deus, se nos velas
Diz-nos o que é que nos espera
E porque é que o sol demora atrás da colina escura
Anda dar luz ao caminho que a gente assim desespera
É como sonhar sozinho
Como se o mar fosse raso
E o céu não tivesse altura
Sempre no silêncio
Dá gozo a voz deste chão
Mas inda me dói a alma
Na dor do corpo e das mãos
Tenho medo deste frio
Que à noite sinto no peito
Como se andassem cavando
Como se andassem fechando Buracos de solidão
A gente não sabe
O que há depois do horizonte
A gente é um vulto curvado
Com uma sombra defronte
A ouvir rumores na distância
A sentir dentro um segredo
Feito de sonhos calados
Feito de braços fechados
Num poço fundo de medo
Andar dar luz ao caminho
Que já nos dói a demora
É como sonhar sozinho
Um sonho que nunca vinga
Num grito que nunca chora
São tantas as vezes que cantamos... mas tambem sao tantas as vezes que nao ouvimos o que cantamos...
Hoje...sei o que canto...só quando se perde algo é que se dá o devido valor a tantas coisas...
Hoje sinto bem o tempo perdido em parvoiçes... em coisas futeis... e arrependo-me daquilo que nao fiz...que nao dei...penso no que hoje mudava.... mas o tempo teimosamente nao volta atrás, estupidamente nao me deixa corrigir os erros do passado...
Que fazer? Apenas esperar que o sol saia detrás da colina e volte a brilhar...
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